Missionário brasileiro resgata homem escravizado há 31 anos no Paquistão e revela nova modalidade de trabalho análogo à escravidão
Claudinei Vicente, líder da missão "Aonde Deus Mandar", relata resgate de paquistanês que trabalhava 22 horas por dia em curral sob 50°C; líder alerta para risco crescente na agricultura e envolvimento de máfias
Por RAIMISON COSTA– Rádio Shekinah
São Paulo (SP) — O missionário brasileiro Claudinei Vicente, líder da missão "Aonde Deus Mandar" (ADM), resgatou mais uma pessoa submetida a trabalho escravo no Paquistão. O caso, divulgado em vídeo nas redes sociais no último final de semana, revela não apenas a crueldade do sistema de escravidão contemporânea no país, mas também uma nova modalidade de exploração que tem dificultado o trabalho de resgate.
31 anos de escravidão em um curral
O caso mais emblemático relatado por Claudinei envolve um homem paquistanês que viveu 31 anos escravizado em uma área rural. Segundo o missionário, ele cuidava de búfalos sob temperaturas que chegavam a 50°C, trabalhando 22 horas por dia — com apenas duas horas de descanso em cada 24 horas.
"Ele dormia no curral. Ele fazia tudo: tinha que alimentar os búfalos, tratar dos búfalos, tirar leite das vacas, tinha que levá-los para pastar, tinha que buscá-los do pasto. Dentro de 15 dias, ele tinha meio dia para ir até a família dele", relatou Claudinei.
A situação era ainda mais grave porque a esposa e um dos filhos do homem eram doentes. Ele era responsável por cuidar sozinho de uma grande quantidade de animais, recebendo apenas alimento como pagamento.
"O trabalho era muito pesado. O lugar era sujo, fedia muito. É um dos lugares mais difíceis para eu conseguir gravar lá por causa da quantidade de moscas. Eu até [tenho] medo de falar e elas entrarem na minha boca", lembrou o missionário.
Vida transformada
A missão ADM conseguiu resgatar o homem pagando por sua liberdade. O contraste entre a situação anterior e a atual é marcante.
"Hoje, ele está super bem, a vida dele foi totalmente transformada. Na minha última ida para o Paquistão, eu encontrei com ele em uma festa de casamento. Eu não o reconheci. Ele parecia que estava 15 anos mais novo. E quando ele e [sua família] me viram, me abraçaram, choraram, agradeceram mais mil vezes. E hoje eles estão livres e vivendo uma vida como todos nós", testemunhou Claudinei.
Nova modalidade de escravidão e riscos crescentes
O missionário revelou que, além das fábricas de tijolos — forma de escravidão mais conhecida no país —, há uma segunda modalidade de exploração: na agricultura. E é justamente nessa área que o resgate se torna mais perigoso.
"Os donos não querem perder esses escravos, então eles não deixam a gente resgatar. E lembrando que estamos lidando com alguns que são da máfia, então a gente corre um risco muito grande de sequer tentar resgatar", explicou.
"É muito arriscado, mas a gente vai tentando. Em breve voltarei lá para continuar esse trabalho."
Cinco anos de resgates e a realidade dos cristãos no Paquistão
Há cinco anos, Claudinei Vicente tem trabalhado para resgatar famílias escravizadas em fábricas de tijolos no Paquistão. Em 2025, com ajuda de doações, ele pagou pela libertação de mais de sete famílias.
Segundo a Global Christian Relief, existem cerca de 20.000 fornos de tijolos no Paquistão, onde muitos cristãos são vítimas do trabalho escravo. O sistema é projetado para prender as famílias: uma vez que aceitam um empréstimo, é extremamente difícil pagá-lo, e as dívidas passam de geração em geração.
Perseguidos e marginalizados, os cristãos representam menos de 2% da população do Paquistão. O país ficou em 8º lugar na Lista Mundial de Observação de 2025 da Portas Abertas, que elenca os lugares mais difíceis para ser cristão — mantendo a mesma posição do ano anterior.
Como ajudar
A missão "Aonde Deus Mandar" (ADM) atua no resgate de famílias escravizadas e depende de doações para continuar o trabalho. Para saber mais sobre como contribuir, acompanhe o missionário Claudinei Vicente nas redes sociais.
Ore e engaje-se
A história desse homem resgatado é um lembrete do poder da fé em ação. Enquanto milhares ainda vivem sob escravidão no Paquistão, o trabalho de missionários como Claudinei Vicente continua sendo uma ponte entre a opressão e a liberdade.
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